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\bibliographystyle{abnt-alf}

\autor{Gustavo Noronha Silva}

\titulo{\Huge{Clássicos da Sociologia:}
  \\\Large{}Marx, Durkheim e Weber}
\comentario{Trabalho apresentada à disciplina Sociologia I
  do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de 
  Montes Claros
  \\Orientador: Prof. Lúcio Flávio}

\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}
\data{abril / 2003}

\begin{document}

\capa

\local{Montes Claros}

\folhaderosto

\addtolength{\topmargin}{-1cm}

\begin{espacosimples}
  \center{\textbf{Clássicos da Sociologia: Marx, Durkheim e Weber}}\\
  \hspace*{10cm}Gustavo Noronha Silva\footnote{Aluno do 1$^o$ 
    período de Ciências Sociais}
\end{espacosimples}

\noindent\textbf{Karl Marx}

Karl Marx trabalha em suas obras com o conceito de dialética.
Para Hegel a relação entre o particular e o universal forma
a unidade dialética, e a cadeia se auto-cria a partir de uma
idéia que é montada, aplicada, modificada e aplicada novamente. 
Virando a teoria idealista de Hegel pelo avesso, Marx acredita 
ser o iniciador da cadeia não o ideal, mas o prático.

Marx acredita que o mundo é resultado de ação humana e
propõe que ``Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo
de distintos modos, cabe transformá-lo.'' (MARX, citado por
OLIVEIRA; QUINTANEIRO, 2002: 30). Ele acredita que, longe de
ser apenas a história do desenvolvimento do espírito, como
pensa Hegel, a história da humanidade deve ser o ponto de
partida para o conhecimento do mundo:

\begin{quote}
... os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições materiais
de existência, que se trate daquelas que encontrou já elaboradas
quando do seu aparecimento, quer das que ele próprio criou (...)
A primeira condição de toda a história humana é, evidentemente,
a existência de seres humanos vivos. (MARX, citado por OLIVEIRA;
QUINTANEIRO, 2002: 31)
\end{quote}

Os homens, quando produzem suas necessidades, criam normas
e modos de fazer e agir, além de outras necessidades para
si e para o mundo. Essa capacidade de reprodução, que é
própria do ser humano portanto, ``é um produto histórico
que depende em grande parte do grau de civilização 
alcançado'' (MARX, citado por OLIVEIRA; QUINTANEIRO, 2002: 33).

A estrutura de uma sociedade é dependente do estado de
desenvolvimento de suas \textit{forças produtivas}
e das \textit{relações sociais de produção} correspondentes.
O conceito de forças produtivas diz respeito à ação dos
indivíduos sobre a natureza. Marx assinala que os homens
``não são livres árbitros de suas forças produtivas ---
base de toda sua história --- pois toda força produtiva
é (...) produto de uma atividade anterior'' (MARX,
citado por OLIVEIRA; QUINTANEIRO, 2002: 34).

As relações sociais de produção dizem respeito ao modo
como os homens se organizem entre si para produzir: as
formas de apropriação das ferramentas e outros meios usados
na produção, os mecanismos de tomada de decisão e de
distribuição da riqueza gerada.

Em sociedades em que existem classes sociais, como exemplo,
há um acesso diferenciado ao produto e aos meios para
produzí-lo. A distribuição das riquezas é, segundo as
autoras, antes de mais nada a distribuição dos instrumentos
de produção e a distribuição dos membros da sociedade pelos
diferentes gêneros de produção.

Tendo esses conceitos em mente, Marx define que o conjunto
das forças produtivas e relações sociais de produção de
uma sociedade são sua \textit{base}\footnote{Também chamada
estrutura ou infra-estrutura}.  É sobre essa base que se a 
sociedade constrói as instituições políticas e sociais. 
Estas formam a \textit{superestrutura}\footnote{Ou 
supra-estrutura}:

\begin{quote}
... A consciência nunca pode Ser mais que o Ser consciente,
e o Ser dos homens é o seu processo da vida real... Assim,
a moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia,
tal como as formas de consciência que lhe correspondem, perdem
imediatamente toda aparência de autonomia. ... (MARX e
ENGELS, citados por OLIVEIRA; QUINTANEIRO, 2002: 37)
\end{quote}

A sociedade evolui sua base e superestrutura dialeticamente.
Conforme a base, expressa no conceito de \textit{modo de
produção} se modifica, gera também mudanças na superestrutura.
Marx não quer, com isso, dizer que o progresso das sociedades
é linear e imutável, nem que a base é o único fator de mudança,
mas sim que ``as formas políticas da luta de classes e seus
resultados, as Constituições (...), as formas jurídicas (...)
exercem igualmente a sua ação sobre o curso das lutas históricas
e, em muitos casos, determinam predominantemente sua forma ...''
(ENGELS, citador por OLIVEIRA; QUINTANEIRO, 2002: 39).

Marx constata a existência de classes na sociedade, e
afirma que a luta entre elas leva necessariamente à
ditadura do proletariado, que deverá por fim à divisão
em classes. Analisando especialmente o capitalismo em
sua obra, Marx define conceitos de análise importantes,
como a \textit{mercadoria}, forma assumida pelos produtos
e pela própria força de trabalho, \textit{valor de uso},
e \textit{valor de troca}, e \textit{tempo de trabalho
socialmente necessário}.

Para Marx no capitalismo o mercado é o centro das
relações sociais de produção. É no mercado que a força
de trabalho é comercializada como mercadoria.
Durante a produção, o trabalhador excede o \textit{tempo
de trabalho necessário}, que é o necessário para produzir
o equivalente ao seu salário, gerando assim \textit{tempo
de trabalho excedente}, que cria riqueza para o dono
dos meios de produção, a \textit{mais-valia}.

Segundo Marx, no capitalismo o trabalhador é alienado pelo
próprio processo de produção e reprodução. O produto do
trabalho é sempre alheio ao trabalhador. A vida produtiva
é apenas uma obrigação a ser suprida para garantir a
sobrevida. O trabalhador não tem consciência do seu próprio
papel na sociedade. A mercadoria tem um carater fetichista:

\begin{quote}
... o que interessa na prática aos que intercambiam produtos
é saber quanto obterão em troca deles, isto é, a proporção
em que se intercambiam entre si. Quando esta proporção
adquire certa estabilidade habitual, parece-lhes proveniente 
da natureza mesma dos produtos do trabalho. Parece existir
nas coisas uma propriedade de intercambiar-se em proporções
determinadas, como as substâncias químicas combinam-se em
proporções fixas. ... (MARX, citado por OLIVEIRA; QUINTANEIRO,
2002: 55)
\end{quote}

Marx propôs, como já foi dito, que ação, mais que teoria,
era uma necessidade. Por isso construiu leis de desenvolvimento
das sociedades, e propôs que os trabalhadores desalienados
fariam a revolução e institucionalizariam a ditadura do
proletariado, abrindo caminho para a extinção das classes
e do Estado e a implementação do comunismo.

\noindent\textbf{Émile Durkheim}

Durkheim foi o primeiro professor universitário de sociologia 
da história. Diferentemente de Marx, ele acredita que a
modificação da sociedade não é dever do estudioso. Este deve
somente entender e explicar, sem interferir.
Durkheim delimita como objetos da sociologia os \textit{fatos
sociais}, que são:

\begin{quote}
``toda maneira de agir fixa ou não, suscetível
de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda,
que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma
existência própria, independente das manifestações individuais
que possa ter'' (DURKHEIM, citado por QUINTANEIRO, 2002: 69).
\end{quote}

As consciências dos indivíduos que compõe uma sociedade
geram, em conjunto, uma \textit{consciência coletiva}.
Isso é a sociedade: ``o mais poderoso feixe de forças físicas
e morais cujo resultado a natureza nos oferece.'' (DURKHEIM,
citado por QUINTANEIRO, 2002: 69).

Ações individuais, ou não guiados por essa consciência
coletiva, segundo Durkheim não são necessariamente fatos
sociais. Para se analizar uma sociedade o objeto a ser
estudado deve ser o todo, e a consciência coletiva, não
os indivíduos.

Fatos sociais menos consolidados são chamados \textit{maneiras
de agir}, os mais \textit{maneiras de ser}. Para Durkheim os
fatos sociais são externos aos sujeitos. Para provar isso
Durkheim demonstra como as crianças são educadas desde pequenas
a agir de determinadas maneiras, e a internalizar maneiras
de ser. Passam por uma \textit{socialização} metódica.

Se existe necessidade de educação para que essas regras se
firmem no indivíduo elas são, por definição, externas:
``... as práticas seguidas na profissão etc. funcionam 
independentemente do uso que delas faço.'' (DURKHEIM,
citado por QUINTANEIRO, 2002: 71).

Uma das expressões do fato social é a \textit{representação
coletiva}. As representações coletivas são a maneira
``como a sociedade vê a si mesma e ao mundo que a rodeia'',
segundo Durkheim. É dessas representações que vêm os
conceitos e os valores de uma sociedade.

Durkheim considera que o sociólogo deve tratar os fatos
sociais como \textit{coisas}, ou seja, como elementos
que ele desconhece, e que devem ser investigados como
algo que não é natural para ele.

Há duas consciências, que formam um ser social: a
consciência individual, que se relaciona somente com a
própria pessoa, e a consciência coletiva, que é o sistema
de sentimentos, idéias e crenças que a sociedade imputa
no indivíduo, que já foi citada anteriormente. Como
também havia sido dito:

\begin{quote}
... a consciência moral da sociedade não é encontrada
por inteiro em todos os indivíduos e com suficiente
vitalidade para impedir qualquer ato que a ofendesse,
fosse este uma falta puramente moral ou propriamente
um crime ... (DURKHEIM, citado por QUINTANEIRO, 2002: 78).
\end{quote}

A divisão do trabalho implica em uma redução da parcela
que cabe à consciência coletiva na consciência total
do ser social, dando mais liberdade para o desenvolvimento
da personalidade. Isso, no entanto, não diminui a coesão.
A \textit{solidariedade social}\footnote{Mecanismos que
evitam a desintagração da sociedade, instrumento de inclusão
social} se torna mais forte, já que os diferentes se
atraem e completam.

Essa é a \textit{solideriedade orgânica}\footnote{Ou 
\textit{solidariedade derivada da divisão do trabalho}}.
Os membros da sociedade têm tarefas bem definidas e,
portanto, uma esfera própria de ação. Integra-se,
então, o corpo social através da divisão do trabalho.

Durkheim usa o direito como principal indicador do
tipo de solidariedade predominante em uma sociedade.
Em sociedades complexas, com alta divisão do trabalho
o direito \textit{restitutivo} se sobrepõe ao direito
\textit{repressivo}. As regras, em uma sociedade tão
extratificada, valem para círculos especiais da sociedade
e seu descumprimento não fere o corpo social como um todo,
comumente.

Adicionalmente, Durkheim acrescenta a seu método
sociológico a análise combinada de fatos sociais
para entendimento de fatos relacionado.

Um conceito muito importante na teoria de Durkheim é
o de \textit{moral}\footnote{Pode ser definida como
``um sistema de normas de conduta que prescrevem como
o sujeito deve conduzir-se em determinadas circunstâncias''
(DURKHEIM, citado por QUINTANEIRO, 2002: 93)}:

\begin{quote}
Moral (...) é tudo o que é fonte de solidariedade, tudo o que
força o indivíduo a contar com seu próximo, a regular seus
movimentos com base em outra coisa que não os impulsos de seu
egoísmo, e a moralidade é tanto mais sólida quanto mais
numerosos e fortes são estes laços. (DURKHEIM, citado por
QUINTANEIRO, 2002: 88)
\end{quote}

A falta de regras morais cria a \textit{anomia}. Para
Durkheim, na sociedade de seu tempo, a religião estava
perdendo, tanto quanto o Estado, força de integradora, 
e muitos indivíduos estavam desamparados. Para suprir
essa carência, aumenta a necessidade da consolidação de
uma moral profissional mais forte e presente.

Influenciado pelo positivismo, Durkheim consegue firmar
bases sólidas e métodos consistentes para a análise
sociológica.

\noindent\textbf{Max Weber}

Weber é até certo ponto influenciado por Marx no seu pensamento.
Mas Weber é bem mais cuidadoso quanto à questão do juízo
de valor aplicado à ciência. Segundo ele o tema é escolhido
por um cientista baseado em seus valores e ideais, mas o
cientista deve saber distingüir entre reconhecer e julgar.

Outra diferença marcante é que Weber, ao contrário de
Marx e Durkheim, não acredita em leis gerais sobre a
sociedade:

\begin{quote}
a) o conhecimento de leis sociais não é um conhecimento do
socialmente real, mas unicamente um dos diversos meios
auxiliares que o nosso pensamento utiliza para esse efeito
e, b) porque nenhum conhecimento dos acontecimentos culturais
poderá ser concebido senão com base na significação que a
realidade da vida, sempre configurada de modo individual,
possui para nós em determinadas relações singulares.
(WEBER, citado por BARBOSA; QUINTANEIRO, 2002: 111)
\end{quote}

Para entender as especificidades das sociedades, em
uma ciência generalizadora, como a Sociologia, é necessário
a definição, pelo cientista, de instrumentos que orientem
a investigação de \textit{conexões causais}\footnote{
Para Weber, é necessário entender os atos humanos e suas
especificidades: o significado que teve para os agentes,
o universo de valores adotados por grupos ou indivíduos,
entre outras e suas relações.}: o \textit{tipo ideal}.

Um conceito ideal é normalmente uma simplificação e
generalização da realidade. Partindo desse modelo,
é possível analizar diversos fatos reais como desvios
do ideal:

\begin{quote}
Tais construções (...) permitem-nos ver se, em traços
particulares ou em seu caráter total, os fenômenos se
aproximam de uma de nossas construções, determinar o grau
de aproximação do fenômeno histórico e o tipo construído
teoricamente. Sob esse aspecto, a construção é simplesmente
um recurso técnico que facilita uma disposição e terminologia
mais lúcidas. (WEBER, citado por BARBOSA; QUINTANEIRO, 2002: 113)
\end{quote}

Durkheim tem como instrumento principal de análise o
fato social, como já vimos. Podemos considerar que,
para Weber, o foco de análise se encontra na \textit{ação
social}. A ação social é qualquer conduta humana que
se oriente pela espectativa da ação de outrem, ou
que dela derive.

As ações, e suas regularidades devem ser observadas.
Entender uma ação, para Weber, significa entender sua
\textit{conexão de sentido}\footnote{Ou seja, seu significado
subjetivo, o fator que orientou a ação}. Weber define,
então tipos ideais, para servirem de modelo na análise:
a \textit{ação racional com relação a fins}, que é
executada com um objetivo racionalmente construído,
usando meios racionalmente considerados e calculados;
a \textit{ação racional com relação a valores}, que
é executada com fins últimos como orientadores, mesmo
que o objetivo imediato não seja calculado; a
\textit{ação tradicional}, que é orientada por tradições
e costumes; e a \textit{ação afetiva}, orientada por
paixões.

Uma \textit{relação social} é a probabilidade de que
cada indivíduo participante de uma conduta plural
orientará sua própria conduta baseado na probabilidade
de que os outros agiraão socialmente dentro das
suas expectativas. As convenções sociais e o direito
constituem relações sociais.

A reciprocidade da relação social não significa,
necessariamente, uma conduta igual, ou de mesmo
tipo. O que existe é uma compreensão recíproca do
sentido da ação.

As relações sociais, são, enfim: ``os conteúdos
significativos atribuídos por aqueles que agem tomando
outro ou outros como referência'' (BARBOSA; QUINTANEIRO, 
2002: 119).

São elas o substrato que dá sustentação ao que
Weber chama de pretensas estruturas sociais: para
ele o casamento ou o Estado só existem enquanto
houver a probabilidade de que pessoas terão as 
condutas necessárias para que existam.

Existem relações comunitárias, fundadas num sentimento
subjetivo (afetivo ou tradicional) e societárias, que
são organizadas racionalmente, baseadas em interesses.
A regularidade das ações também dá denominações específicas:
usos são ações repetidas por mero hábito, costumes são
ações repetidas duradouramente, determinadas por interesses.

Weber é o sociólogo das multiplas lógicas, das ações e
relações sociais, que se preocupa em investigar o mundo
sem se deixar dominar por seus próprios valores e opiniões.

\noindent{}\textbf{Referência Bibliográfica}

% ti weber
\noindent{}BARBOSA, M. L. de O. QUINTANEIRO, T. Max Weber. In:
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. de O.; OLIVEIRA, M. G. M. de.
\emph{Um Toque de Clássicos}. 2. ed. rev. e amp. Belo Horizonte:
UFMG, 2002. p. 106-149. (Aprender).

% ti karl karl
\noindent{}OLIVEIRA, M. G. M.; QUINTANEIRO, T. Karl Marx. In:
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. de O.; OLIVEIRA, M. G. M. de.
\emph{Um Toque de Clássicos}. 2. ed. rev. e amp. Belo Horizonte:
UFMG, 2002. p. 27-66. (Aprender).

% geralzão
\noindent{}QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. de O.; OLIVEIRA, M. G. M. de.
\emph{Um Toque de Clássicos}. 2. ed. rev. e amp. Belo Horizonte:
UFMG, 2002. 159 p. (Aprender).

% ti durkheim
\noindent{}QUINTANEIRO, T. Émile Durkheim. In:
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. de O.; OLIVEIRA, M. G. M. de.
\emph{Um Toque de Clássicos}. 2. ed. rev. e amp. Belo Horizonte:
UFMG, 2002. p. 67-105. (Aprender).

\end{document}
