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\begin{document}

%roubado da classe abntex
\renewcommand{\ABNTchapterfont}{\bfseries}
\thispagestyle{empty}%

% Autor
\begin{center}
Gustavo Noronha Silva
\end{center}

\vfill\vfill

% Título
\begin{center}
  {\huge{}Relato:
    \\\large{}IV Fórum Internacional de Software Livre}
\end{center}

\vfill\vfill\vfill

\begin{center}
Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES\\
junho / 2003
\end{center}

\newpage

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% Autor
\begin{center}
Gustavo Noronha Silva
\end{center}

\vfill\vfill\vfill

% Título
\begin{center}
  {\huge{}Relato:
    \\\large{}IV Fórum Internacional de Software Livre}
\end{center}

   \vspace{.8cm}
   \hspace{.45\textwidth}
     \begin{minipage}{.5\textwidth}
       \begin{espacosimples}
         {Relato apresentado à disciplina %
           Técnicas de Comunicação Científica, do primeiro %
           período do curso de Ciências Sociais.}\par
       \end{espacosimples}
     \end{minipage}

\vfill\vfill\vfill

\begin{center}
Montes Claros\\
junho / 2003
\end{center}

\setcounter{page}{2}

\tableofcontents

\chapter{Introdução}

O Fórum Internacional de Software Livre, em sua quarta
edição, é hoje um dos principais encontros de 
hackers\footnote{Ao contrário do que se pensa, o termo
'hacker' não designa alguém que invade sistemas, mas
uma pessoa muito curiosa e competente em uma determinada
área. Veja \url{http://www.gruposhacker.com.br/}.}, usuários,
simpatizantes, empresas e outras entidades e pessoas
relacionadas ao Software Livre do mundo. 

Com representantes de todos os cantos do Brasil e de
vários países do mundo, o fórum, que acontece em
Porto Alegre, atraiu milhares de pessoas para discutir 
questões técnicas, filosóficas, éticas, legais e políticas 
do Software Livre.

Nos últimos três anos, o Fórum contou com apoio muito
importante do governo estadual do Rio Grande do Sul,
mas esse ano a grande surpresa foi o apoio enorme
recebido do governo federal, do senado e de diversos 
Ministérios como o da cultura e o da casa civil.

O evento teve três dias de palestras, sessões livres,
workshop acadêmico e exposições na mostra de soluções.
A abertura do evento, no dia 5 contou com personalidades
como Cláudio Prado e Sérgio Amadeu, representantes dos
Ministérios da cultura e casa civil respectivamente,
além do governador do Rio Grande do Sul, Germano
Riggoto.

O Software Livre é um tipo de software que dá quatro
liberdades básicas a quem o licencia: usar para
qualquer fim, estudar o código fonte, modificar o
código fonte e redistribuir o software. Licenciar,
na maioria dos casos, significa simplesmente baixar
da Internet, já que a maioria dos Softwares Livres
não têm custos.

\chapter{O Fórum}

\section{Primeiro dia de Fórum (05/05/2003)}

No primeiro dia de Fórum as emoções já estavam
à flor da pele. O encontro com amigos que não
via havia quase um ano serve sempre para aquecer
lembranças e o espírito de ativista.

A abertura do evento teve a execução do hino nacional
na forma de um vídeo que mostrava cada trecho do hino
tocado em um estilo diferente da música brasileira,
da música gaúcha ao samba. Muitas promessas vieram.
Sérgio Amadeu, presidente do ITI\footnote{Instituto de
Tecnologia da Informação, órgão subordinado à presidência
da república} representava José Dirceu, Ministro da casa 
civil e declarou que Software Livre agora é política de
governo. Cláudio Prado, representante do Ministério da
Cultura, foi anos atrás produtor dos tropicalistas da
música brasileira, e disse que pretende tropicalizar a
informática.

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Riggoto,
que nos últimos meses parecia cético a respeito do
Software Livre parece ter se impressionado, e declarou
o apoio do governo do Estado ao movimento.

A palestra inicial foi proferida por Bdale Garbee,
funcionário da Hewlet Packard dos Estados Unidos e
ex-líder do Projeto Debian\footnote{Veja 
\url{http://www.debian.org/}} --- uma associação
mundial de desenvolvedores de software que trabalham
voluntariamente pela Internet e têm como objetivo
desenvolver um sistema operacional totalmente livre
--- do qual eu faço parte.

A experiência de ouví-lo falar sobre a organização
institucional e política do Debian foi incrível,
mesmo eu já sabendo de tudo que ele falou. O Debian
é uma organização com uma estrutura burocrática
extremamente flexível e com uma estrutura hierárquica
de poder muito bem definida, sendo que o poder supremo
é a assembléia geral dos desenvolvedores.

Os grupos de usuários tinham uma área reservada com
estandes, e foi nessa área do Fórum que eu passei
a maior parte do resto do dia, conversando com usuários
de Debian e de software livre em geral, trocando experiências
com outros desenvolvedores e encontrando amigos.

Visitei, também, o estande do projeto de Governo
Eletrônico da prefeitura de São Paulo. A prefeitura
levou para Porto Alegre um tele-centro, composto de
dez máquinas rodando Software Livre. Foi interessante
ver tanta gente ``comum'' usando softwares nos quais
eu trabalho como voluntário sem dificuldades.

Ainda no tópico tele-centros, fiquei surpreso por
ficar sabendo de uma iniciativa no Vale do
Jequitinhonha que eu próprio desconhecia.
O sítio do Fórum noticia:

\begin{quote}
\textit{A partir de julho, a população do norte de Minas Gerais 
(em especial a do Vale do Jequitinhonha) terá à sua 
disposição trinta Tele-centros fixos e duas unidades móveis 
circulando em ônibus e promovendo a inclusão digital. 
O projeto é uma parceria entre o Governo Federal, três 
universidades estaduais mineiras e a ONG Rede de Informações 
para o Terceiro Setor (Rits).} 
(Fome Zero vai usar software livre para ampliar sua atuação, 2003) 
\nocite{fomezero} % pra aparecer na bibliografia =P
\end{quote}

Fiquei muito entusiasmado e decidi que tinha que
falar com o responsável por isso. Depois de muito
andar e conhecer parei no estande da ONG Quilombo
Digital\footnote{Veja \url{http://www.quilombodigital.org/}}.
Há muito eu faço parte da lista de discussões deles,
que é essencialmente um ponto de discussão dos
aspectos éticos e filosóficos do Software Livre.
Ganhei do Gandhi, também conhecido como Ricardo
Andere de Melo, presidente da ONG e meu amigo
pessoal uma camiseta e fiz minha inscrição para ser
membro votante oficial.

O dia acabou com uma boa churrascada no melhor
estilo gaúcho, e com muitas conversas com o
americano Bdale Garbee, o Holandês Wichert
Akkerman, ambos ex-líderes do Projeto Debian,
e Eduardo Maçan, de São Paulo, primeiro desenvolvedor
Debian oficial do Brasil sobre o processo político
das últimas eleições para líder do Debian desse
ano e sobre aspectos técnicos.

\section{Segundo dia de Fórum (06/06/2003)}

O segundo dia de Fórum começou cedo para mim. Eu era
coordenador de mesa da primeira sessão de uma das salas.
A palestra era sobre o que a PRODABEL, empresa de
processamento de dados de Belo Horizonte, tem feito.
Os meus amigos de Belo Horizonte foram muito bem
humorados e fizemos uma palestra a caráter, usando
chapéu de palha, com direito a pinga no canto da
mesa e distribuição de pito de palha ao final.

A platéia parecia impressionada com as políticas adotadas
pela PRODABEL para a migração de sistemas interna.
Acabei conhecendo após a palestra o responsável pelo
projeto no vale do Jequitinhonha, peguei seu cartão
e fiquei de entrar em contato.

No meio da tarde houve uma sessão livre sobre política
governamental e software livre. Sérgio Amadeu demonstrou
por que ``O software pago é insustentável para o país. 
No tempo do 'monopólio', não tínhamos escolha, mas agora 
a situação é diferente.'' (Sérgio Amadeu, citado em
Sessão Livre debate política governamental sobre Software Livre,
2003). Além dele falaram também Joel dos Santos Raymundo,
presidente da PROCEMPA, empresa de processamento de dados
de Porto Alegre; Beatriz Tibiriça e Ricardo Bimbo coordenadores 
do projeto Governo Digital, da prefeitura de São Paulo.
\nocite{polgov}

Depois disso era hora de voltar à política: conheci
o coordenador do projeto dos tele-centros de São Paulo,
Ricardo Bimbo, e um dos técnicos que trabalha. Conversamos 
longamente, juntamente com o Gustavo Vieira, que trabalha 
comigo em um projeto de tradução\footnote{Veja 
\url{http://br.tldp.org/projetos/gnome/.}}.

Foi lançado no Fórum o livro \textit{Software Livre e 
Inclusão Digital}. O livro é uma reunião de 18
textos de personalidades brasileiras do Software
Livre. O lançamento contou com 8 dos 18 autores
dando autógrafos no estande do tele-centro de São
Paulo.

Ao final da tarde o Quilombo Digital promoveu uma
reunião dos grupos de usuários e ONGs de software
livre. Dessa reunião saiu a idéia inicial de uma
entidade representativa, capaz de aglutinar esforços
dos grupos: demos a essa entidade o nome de \textit{A
Coisa}, já que nem sequer tínhamos idéia da natureza
que ela teria, se ONG, se associação, se nada.
Foram criados os canais de comunicação\footnote{O
sítio d'A Coisa fica em: http://acoisa.imprensalivre.org/.}
e eu e Gandhi, juntamente com dois colegas do
Quilombo Digital demos início à produção de um
manifesto\footnote{O manifesto se encontra no sítio d'A Coisa.}
que seria lido no encerramento do Fórum.

A noite terminou com um show de um artista local.
Enquanto ele tocava eu fiquei sentado no estande
da PUC-RS, que a essa altura estava vazio, com grandes
nomes do Software Livre brasileiro, como Alexandre
Oliva, funcionário da Red Hat, Buick, do Grupo de
Usuários de Slackware, entre outros.

\section{Terceiro dia de Fórum (07/06/2003)}

No terceiro dia de Fórum tivemos reuniões com
Carlos Prado, que falou sobre alguns projetos do
Ministério da Cultura e pediu a nossa colaboração.
Conheci uma antropóloga de Campinas que está fazendo
um trabalho sobre o grupo de software livre da
UNICAMP enquanto ela entrevistava meus companheiros
Bdale e Wichert.

Esse dia foi de muitas palestras interessantes no
campo técnico e político, e de muito trabalho para
nós do Debian e do Quilombo Digital. Muitas conversas,
muitas idéias e projetos surgindo. As possibilidades
de independência tecnológica com software livre
ficam evidentes quando conhecemos projetos como o
de uma antropóloga que faz parte do Quilombo Digital
e que está levando as vantagens da informática para
uma tribo Baniwa, no norte do Brasil sem, contudo,
prejudicar a cultura local, já que todos os softwares
foram adaptados e traduzidos para a língua local,
algo que seria impossível se o software livre não
existisse.

Terminamos o manifesto d'A Coisa e eu e o Eduardo Maçan 
conversamos com Alessandro Binhara, do Grupo de Usuários 
de Santa Catarina. Ele está escrevendo um artigo sobre 
a estrutura organizacional dos grupos de usuários de 
software livre e as relações existentes entre eles e 
convidou a mim e ao Maçan para sermos co-autores.

No meio da tarde foi a vez de Wichert Akkerman palestrar
sobre Segurança no Debian. Acompanhamos a palestra e
depois promovemos uma \textit{key-signing party} ---
algo como ``festa de assinatura de chaves''. Na comunidade
é costume usar sistemas de criptografia para verificar
a autenticidade de emails e arquivos e para comunicação
confidencial. Para isso se usa ``chaves'' digitais.
O ato de assinar uma chave quer dizer que você conferiu
a identidade e sabe que a chave pertence realmente àquela
pessoa, criando assim um círculo de confiança.

O já normalmente lotado estande do nosso grupo ficou
mais cheio ainda por causa desse evento. Mais tarde
assistimos à palestra do Mexicano Miguel de Icaza
apresentando sua mais nova empreitada no mundo do
software livre: o Mono\footnote{Veja 
\url{http://www.go-mono.org/.}}.

Logo depois dessa palestra aconteceu a cerimônia
de encerramento. Como sempre fiquei em êxtase e cheio
de esperança e orgulho. As afirmações sobre o apoio
do governo federal foram reforçadas e uma orquestra
de crianças e adolescentes apresentou músicas brasileiras
para a platéia. Foi feita a leitura do Manifesto d'A
Coisa e anunciada para os dias 19 e 20 de agosto a fundação
oficial do Projeto Software Livre Brasil, no Senado
federal, com a presença dos Ministros da cultura e
da casa civil, do presidente do Senado, e de personalidades
do Software Livre.

O final do dia foi, novamente, numa bela churrascada
em comemoração à maior festa da comunidade Livre
brasileira.

\chapter{Conclusão}

O Fórum Internacional de Software Livre é certamente
um evento eclético. Reúne gente de todos os tipos, com
todos os gostos e idéias que compartilham um ideal:
liberdade.

O evento atende a todo tipo de pessoa: desde o usuário
iniciante, passando pelo hacker que não se interessa
por nada além de aspectos técnicos, pelo hacker preocupado
com os aspectos sociais até políticos e empresários.

O evento tem se mostrado um grande disseminador de
projetos com utilidade pública e social de extrema
importância, e um grande divulgador de que, também
na área da tecnologia, um outro mundo é possível.

\chapter*{Bibliografia}

\noindent{}LANER, Alex Paulo. \emph{Acervo de Fotos
do FISL}. Sítio com ligações para sítios que contêm
fotos do Fórum Internacional de Software Livre.
Disponível em: $<$\url{http://www.noisemakers.org/fisl2003/}$>$.
Acesso em 24 jun. 2003.

\noindent{}\emph{Projeto Software Livre RS}. Sítio da
Coordenação do Projeto Software Livre RS. Disponível em:
$<$\url{http://www.softwarelivre.org/}$>$. Acesso em 24
jun. 2003.

\begin{thebibliography}{1}
\bibitem{fomezero} Fome Zero vai usar software livre para 
  ampliar sua atuação. \emph{Projeto Software Livre RS}.
  Porto Alegre, 05 de jun. 2003. Disponível em:
  $<$\url{http://www.softwarelivre.org/index.php?menu=mais_noticias2&cod=1054843758&tab=1}$>$. Acesso em: 24 jun. 2003.

\bibitem{polgov} Sessão Livre debate política governamental 
  sobre Software Livre. \emph{Projeto Software Livre RS}.
  Porto Alegre, 06 de jun. 2003. Disponível em:
  $<$\url{http://www.softwarelivre.org/index.php?menu=mais_noticias2&cod=1054932202&tab=1}$>$. Acesso em: 24 jun. 2003.
\end{thebibliography}

\end{document}

