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\autor{Gustavo Noronha Silva}
\titulo{Fichamento:\\
  Nicolau Maquiavel: o cidadão sem \textit{fortuna}, o
  intelectual de \textit{virtú}}
\comentario{Fichamento apresentado à disciplina Política I 
  do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de 
  Montes Claros}
\orientador{Antônio Maciel}
\instituicao{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}
\local{Montes Claros}
\data{março / 2003}

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\capa

\folhaderosto

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\noindent Maquiavel

\noindent Maria Tereza Sadek. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna,
o intelectual de virtú. In: WEFFORT, Franciso (Org). Os Clássicos da 
Política. São Paulo: Ática, 1995. p. 13-24

O autor começa sua exposição com uma breve descrição da visão
mais comumente relacionada a Maquiavel tanto no debate político
quanto na fala do cotidiano, dos significados atribuídos ao
adjetivo ``maquiavélico'' e ao substantivo ``maquiavelismo''.
Passa, na segunda parte, a uma biografia resumida de Maquiavel
contextualizando nosso estudo: Maquiavel nasceu em uma Itália
constituída de pequenos Estados que, além de totalmente diferentes
em muitos aspectos, lutavam entre si pelo poder. Instabilidade
era a palavra de ordem, com governantes não conseguindo se
manter no poder em um Estado por muitos meses. Somando-se a
isso tudo, França e Espanha, Estados Nacionais já constituídos,
invadiam os Estados italianos ampliando o caos.  Maquiavel ocupou
cargos públicos e exerceu diversas missões diplomáticas obtendo
assim uma certa vivência sobre o funcionamento do Estado e
das instituições relacionadas a ele. Tido como republicano
pelos Médicis foi preso e impedido de exercer seu ofício e se
retirou para sua propriedade rural, onde começou a escrever
suas obras. Mais tarde,  escreve sobre Florença a pedido de um
dos Médicis e, quando esses são depostos, é visto como alguém
que possuía ligações com os tiranos. Isso o deixa desgostoso,
ele adoece e morre.  A terceira parte fala da verdade efetiva
das coisas. Mostra que Maquiavel não se preocupa em descrever
realidades ideiais que nunca existiram, mas sim em apreender a
verdade efetiva das coisas. Ele quer, diante da realidade resolver
o inevitável ciclo de estabilidade e caos. Como fazer reinar a
ordem, como instaurar um Estado estável? A ordem não é natural
e eterna, mas sim produto necessário da política. A política é o
resultado das ações concretas dos homens em sociedade.  A quarta
parte descreve a natureza humana como Maquiavel a percebe e a
relação da história com o pensamento político. Segundo ele,
os homens ``são ingratos, volúveis, simuladores, covardes
ante os perigos, ávidos de lucro'' (O Príncipe, cap. XVII) e
a história é cíclica, repetindo indefinidamente situações de
desordem e ordem alternadamente, dada a malignidade intrínseca
do ser humano. Portanto, ele acredita que se pode aprender com
a história a prever os acontecimentos que se produzirão em cada
Estado e usar os mesmos remédios usados pelos antigos ou, se esses
não estiverem disponíveis, criar novos a partir da semelhança dos
acontecimentos.  A quinta parte discorre sobre os desejos opostos
presentes em todas as sociedades: o povo não quer ser dominado
e os grandes querem dominar o povo. Maquiavel sugere que há duas
formas de resolver o confronto entre grupos sociais e a anarquia
decorrente da natureza humana: o Principado e a República. Quando
a nação se encontra ameaçada é necessário um governo forte para
inibir a vitalidade das forças desagregadoras e corruptas. O
príncipe não é um ditador, mas um agente da transição para uma
sociedade equilibrada, pronta para uma República.  A sexta parte
mostra como Maquiavel faz uso da mitológica figura da deusa
fortuna - detentora dos bens que todos os homens desejavam:
honra, riqueza, glória, poder - para demonstrar a necessidade
de se ter virtú - coragem, virilidade. Segundo ele, a virtú pode
dominar a fortuna. O governante é, portanto, aquele que demonstra
ter virtú, que demonstra saber fazer o uso virtuoso da força,
e não simplesmente o mais forte, sendo assim capaz de manter
o domínio adquirido pelo amor ou, pelo menos, pelo respeito
dos governado. O texto destaca, depois, que, para Maquiavel
a  diferença existente entre os Principados hereditários e
os novos é que os primeiros têm maior facilidade de se manter
inicialmente no poder, já que o povo já está acostumado com a
família governante, mas deixa claro que nem eles estão livres da
instabilidade. Mais a frente, o texto mostra que, para Maquiavel,
a moral não deve ser um freio para a política. O governante deve
aparentar ser aquilo que seus governados presam, mas deve saber
agir de acordo com as necessidades.

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