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\autor{Gustavo Noronha Silva}

\titulo{-título-}
\comentario{Trabalho apresentado a disciplina -disciplina-
  do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de 
  Montes Claros
  \\Orientador: -professor-}
\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}
\data{-data-}

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\fancyhead [l]{Os Clássicos da Política\\
Hobbes: o medo e a esperança}
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\begin{document}

\capa

\local{Montes Claros}

\folhaderosto

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\noindent Referência

\secao{Introdução}

``Segundo  Lloyd, o  enfoque das  mentalidades supõe  erroneamente uma
coerência  fictícia  e  estável  de  sentimentos e  idéias  numa  dada
sociedade  em  prejuízo  da  pluralidade  de  sistemas  de  crenças  e
racionalidades  que  coexisteem  no  interior de  uma  mesma  cultura,
comunidade ou indivíduo.'' (p. 127)

``Não  há dúvida  de  que,  ao menos  aparentemente,  os críticos  das
mentalidades  triunfaram,   pois  é   raríssimo  hoje  em   dia  algum
historiador francês admitir ser  um `historiador de mentalidades', sem
falar  nos que se  refugiaram em  outros campos.  (...) No  entanto, é
notável (...) o extraordinário vigor dos estudos sobre o mental, ainda
que sob  novos rótulos e  com outras roupagens.  A bem da  verdade, as
mentalidades prevaleceram e continuam a inspirar inúmeros programas de
pesquisa em diversos países (...)'' (p. 128)

\secao{Os \textit{Annales} e as mentalidades}

``História   das   mentalidades,   filha   dileta   da   `escola   dos
\textit{Annales}',  eis um  juízo várias  vezes reiterado  e apregoado
pelos  historiadores  franceses  dos   anos  70  (...)   Trata-se,  na
realidade, de um juízo  só parcialmente verdadeiro. Verdadeiro porque,
queira-se  ou não, a  preocupação com  `os modos  de sentir  e pensar'
ocupou  a  atenção  dos  \textit{annalistes} desde  os  primórdios  da
revista \textit{Annales} (...)  Além  do mais, (...)  os herdeiros das
mentalidades sempre  se reconheceram como  herdeiros contemporâneos de
Bloch e Febvre, por muitos chamados de `os pais fundadores' da chamada
Nova História produzida na França.  (...)''  (p. 129)

``Mas o  reconhecimento das  mentalidades como herdeira  preferida dos
\textit{Annales} não deve  ser exagerado, pois também é  certo que, em
algumas  de suas  tendências,  a história  das mentalidades  realmente
rompeu com  o espírito de  síntese que animava  os \textit{annalistes}
(...)'' (p. 129)

``(...)  Febvre   e  Bloch  combatiam,  pois,   uma  história  somente
preocupada  com os  fatos  singulares, sobretudo  com  os de  natureza
política,   diplomática  e  militar.   Combatiam  uma   história  que,
pretendendo-se  científica, tomava como  critério de  cientificidade a
verdade  dos fatos, à  qual se  poderia chegar  mediante a  análise de
documentos  verdadeiros  e  autênticos  (...)  Combatiam,  enfim,  uma
história  que se  furtava ao  diálogo com  as demais  ciências humanas
(...)'' (p. 130)

``Contra  a tal história  historicizante, Febvre  e Bloch  opunham uma
assim chamada \textit{história nova}, uma história problematizadora do
social, preocupada com as massas anônimas, seus modos de viver, sentir
e pensar. Uma  história de estruturas em movimento,  com grande ênfase
no  estudo  das  condições  de  vida  material,  embora  sem  qualquer
reconhecimento da determinância do  econômico na totalidade social, ao
contrário  do proposto  pela concepção  marxista da  história. (...)''
(p. 130)

``Foi  com  base  nesse  ânimo  de combate  e  renovação  da  pesquisa
histórica   que  Febvre  e   Bloch  fundaram,   em  1929,   a  revista
\textit{Annales  d'Histoire Economique et  Sociale}, primeiro  nome do
famoso periódico que acabaria por  se estender ao próprio movimento da
\textit{história nova} francesa.'' (p. 131)

``No  entanto, vale  dizer  que os  combates  de Bloch  e  Febvre e  o
movimento historiográfico  que estimularam nos anos 20  foram em parte
injustos com a historiografia do século XIX e mesmo com a que havia no
início do século. (...) inúmeros  historiadores do século XIX e início
do  XX   deram  contribuição  inestimável  à   renovação  dos  estudos
historiográficos. Sem eles não se poderia compreender nem o surgimento
dos \textit{Annales}, nem  a preocupação com as \textit{mentalidades},
que desde cedo se fez notar. (...)'' (p. 131)

``O nó da  questão parece situar-se no período  que Peter Burke chamou
de `a era Braudel' (1956-1969),  tempo em que o principal discípulo de
Lucien Febvre comandou a  produção historiográfica francesa (...) Numa
visão de conjunto, é inegável  que a dita `era Braudel' representou um
adensamento  da  problematização teórica  dos  \textit{Annales} e  uma
consolidação do espírito de síntese  que animava o `fazer história' de
Bloch e de Febvre. No entanto,  foi justamente nessa fase que se viram
eclipsadas, por  assim dizer, as fortes preocupações  que os primeiros
\textit{annalistes}  sempre dedicaram  às mentalidades  na história.''
(p. 133)

``(...)  foi no  \textit{Mediterrâneo} que  Braudel não  só  expôs uma
pesquisa   extraordinária  sobre   economia  e   sociedade   no  mundo
mediterrânico durante  a segunda metade do século  XVI como apresentou
sua   própria   concepção   de   história,   particularmente   a   sua
problematização original  do espaço e  do tempo históricos  (...) `Meu
grande problema, o único problema,(sic)  a resolver é demonstrar que o
tempo avança com diferentes velocidades',  eis o que afirmou certa vez
Braudel (...)'' (p. 134)

``A  problematização  braudeliana  do  tempo longo  é  de  importância
crucial para o assunto (...)  [das] mentalidades. Afinal, foi no texto
de  1958 que Braudel  introduziu o  estruturalismo de  Lévi-Strauss na
teoria histórica dos \textit{Annales} (...)'' (p. 134)

\end {document}
