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\bibliographystyle{abnt-alf}

\autor{Gustavo Noronha Silva\\
Walison Vasconcelos Pascoal
}

\titulo{Talcott Parsons e a Teoria Geral da Ação}

\comentario{Trabalho apresentado à disciplina Sociologia III como
  requisito para obtenção de nota.
  \\Orientadora: Profa. Maria da Luz}
  
\local{Montes Claros - MG} 
\data{maio / 2004}

\begin{document}

\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}
\folhaderosto

A teoria geral, para Parsons, cumpre dois objetivos principais,
através da codificação do conhecimento concreto existente: a
facilitação da seleção de problemas e do controle das distorções de
observação e interpretação, fomentados pela ``departamentalização'' da
educação e investigação nas Ciências Sociais.

A sociologia se ocupa do estudo da ação social, que é definida por
Parsons como ``atividade que de alguma maneira está relacionada às
coisas situadas fora do organismo, através de princípios de relações,
ou melhor, de \textit{inter-relações}'' (PARSONS, 2001: 215) e que,
segundo ele, deve ser sempre vista como sistema para que sua
investigação seja verdadeiramente científica.  Parsons admite que a
fonte definitiva do fator de energia dos processos de ação é derivada
do organismo e tem, por isso, uma significação orgânica no que se
refere a obter gratificações ou evitar privações. Sua teoria da ação,
porém, não está interessada em investigar os processos fisiológicos
internos, mas à organização das orientações do ator no que se refere a
uma situação.

Uma propriedade fundamental da ação é que ela não consiste de
respostas \textit{ad hoc} aos determinados ``estímulos'' situacionais,
mas um elemento cultural. O ator desenvolve um sistema de
expectativas, que podem ser estruturados apenas com relação às
necessidades do ator e às possibilidades de gratificação ou privação
\textit{contingentes} às várias alternativas de ação. No caso de
interações com objetos sociais, uma dimensão maior surge, no entanto:
a ação se move, também, pela expectativa que se cria em torna das
reações externas advindas da ação do indivíduo.

Essas relações, para Parsons, são ``constelações de ações'' dos
indivíduos que delas participam, e formam o que ele chama de Sistema
Social, sendo analisadas dentro do quadro de referência da teoria
geral da ação. O conceito de Sistemas Sociais serve de ponto de
partida para a teoria geral da ação parsoniana. Sistema, para o autor,
se refere a estruturas sociais relativamente estáveis, dentro de um
limite definido de variações, ou seja, supõe-se que a constância de
padrão de categorias estruturais (como, por exemplo, o parentesco, os
ritos) tenha alguma significação empírica.  Entendemos que esse ponto
é muito significativo na teoria parsoniana, já que denota uma escolha
delicada para fundamentar sua teoria geral, deixando espaço para
contestação do real valor do empírico e da estrutura na construção da
ação individual.

Parsons define como unidade conceitual do sistema social o papel
social, que é como uma seção da orientação das ações de um ator em uma
relação, um grupo adicional de expectativas referentes às ações desse
ator em situações específicas.

Além do sistema social, cuja função é a integração social através da
interação dos atores entre si, o sistema de ação social é composto por
três outros subsistemas: o sistema cultural, cuja função é manter os
padrões de orientação da ação; o sistema de personalidades, cuja
função é a realização dos objetivos; e o sistema do organismo,
responsável pela adaptação e fornecimento de energia para
desencadeamento dos processos dos outros sistemas. Parsons define,
também, o chamado sistema AGIL (de ``Adaption'', ``Goal Attainment'',
``Integration'' e ``Latency''), em que esses subsistemas são
``mapeados'' da seguinte forma: o sistema biológico é associado à
economia, cuja função é adaptar-se aos requerimentos dos outros
sistemas, fornecendo-lhes ``energia''; o sistema de personalidades é
associado à política, tendo como função a realização de objetivos da
sociedade; o sistema social se mapeia para o sistema legal, com função
de regular e integrar; finalmente, o sistema cultural é responsável
pela cultura, pela definição e manutenção de padrões culturais. É
importante destacar que, apesar de Parsons os definir separadamente,
esses subsistemas são interdependentes: ``Cada um deles é
indispensável aos outros dois no sentido de que, sem personalidade e
cultura, não haveria sistema social e assim por diante.'' (PARSONS,
2001: 223). Parsons sublinha que, dadas as características específicas
dos sistemas biológico e cultural --- o primeiro é interno ao
indivíduo e, portanto, não tem valor relacional, o último é externo e
anterior ao indivíduo --- fazem com que apenas os sistemas social e de
personalidades, ou seja, das relações sociais e da consecução de
objetivos, sejam considerados sistemas de ação.

Outro aspecto que vale destacar é que o controle desses sistemas é
feito, de um lado, pela informação, que está concentrada no sistema
cultural e, de outro, pela energia, concentrada no organismo ou na
economia. Parsons admite que nenhum sistema social esta sempre
integrado e em equilíbrio, tendendo sempre à manifestação de
comportamentos desviantes, que são afastamentos dos padrões normativos
de atores que tenham tido oportunidade de aprender as orientações
requeridas para o contrário. Para fazer frente a esses desvios, a
socialização, vista como processo de incorporação da cultura ao
indivíduo, age controlando-o. Esse controle, porém, se dá muito mais
pelo que se deve evitar do que pelo que se deve fazer. Em outras
palavras, uma mãe diz mais vezes ao filho as palavras ``não pode'' do
que ``faça isso assim''.

Outras formas de controle já foram tratadas anteriormente quando
tratamos das motivações da ação: as expectativas que se criam em
relação às recompensas e privações exercem influência motivadora nas
ações dos indivíduos. Parsons trata especificamente da diferenciação
social (ou estratificação social), da atribuição de poder e prestígio
como sistemas de recompensa. Podemos pensar, como exemplo, em alguém
que, almejando um cargo ou posição social, executa ações que
possibilitam o estabelecimento de relações com pessoas que possam
oferecer-lhe ou facilitar-lhe a conquista desse objetivo.

Parsons admite, também, a mudança social em sua teoria. A partir de
fatores como relações internacionais, desenvolvimento tecnológico,
mudanças nas condições ambientais e regimes políticos, uma sociedade
sofre mudanças que acabam por alterar a forma como as crianças são
socializadas, já que os pais e outros indivíduos que participam do
processo de socialização têm experiências diferentes e acabam por
modificarem-se.

A comunidade societária é uma das bases do sistema cultural. Parsons a
define como o subsistema integrador de uma sociedade. É nesse
subsistema que encontramos a articulação de normas com uma organização
coletiva, é na comunidade societária que se concentram os importantes
``valores comuns'' de uma sociedade. É função primária da comunidade
societária, criar um vínculo de lealdade, fundado na identidade do
indivíduo com o todo da comunidade de que participa, dando importância
a chamados feitos em nome dessa coletividade ou da necessidade e
interesses públicos. Esse subsistema integrador tem um papel
importante na modernização da sociedade, eliminando possíveis entraves
jurídicos. Um exemplo dado pelo autor se refere a leis ou normas que
são gerais o suficiente para darem margem à interpretações diferentes em
diferentes épocas em uma sociedade, que muda seus valores comuns a
respeito das questões centrais tratadas pela lei sem que haja
necessidade de modificar a própria lei.

Tendo em vista toda a discussão que fizemos até aqui, concluímos que a
teoria geral da ação de Parsons indepente de ter conseguido ou não se
firmar como teoria geral para a sociologia, apresentou vários
elementos de grande importância para a discussão sociológica,
acrescentando muito às discussões feitas pelos clássicos que já
discutimos.

\begin{center}
\Large
Referências Bibliográficas
\normalsize
\end{center}

\noindent
PARSONS, Talcott. Parsons. In: CASTRO, Ana Maria; DIAS, Edmundo
Fernandes (orgs.). \emph{Introdução ao pensamento sociológico}. São
Paulo: Centauro.

\noindent
PARSONS, Talcott. \emph{O Sistema das Sociedades Modernas}. São Paulo:
Pioneira. Capítulo II, p. 15-42.

\end{document}

