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\autor{Gustavo Noronha Silva} 

\titulo{Liminaridade e Communitas em Victor Turner}

\comentario{Trabalho apresentado à disciplina Antropologia III do
  terceiro período do curso de Ciências Sociais da Universidade
  Estadual de Montes Claros.
  \\Orientador: Prof. Carlos Caixeta}

\data{maio / 2004}

\begin{document}

\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}

\capa

\local{Montes Claros}

\folhaderosto

\begin{espacoduplo}
\capitulo{Introdução}

Os rituais são discussão constante nas diversas teorias antropológicas
que se desenvolveram ao longo do tempo. Alguns autores, como Durkheim,
colocam o ritual como peça fundamental para compreensão das
sociedades. Para esse autor, em específico, só existe aquilo que é
praticado, a ação é que dá existência a instituições sociais. Outros
autores, como Lévi-Strauss deixam de lado os rituais, procurando o
inconsciente que existe nas ações sociais.

Victor Turner discute no capítulo \textit{Liminaridade e
  ``Communitas''} de seu livro \textbf{O processo ritual}, um tipo
específico de ritual: o chamado \textit{rito de passagem}. Arnold van
Gennep (1960, citado por Turner, 1974), define esses ritos como
``ritos que acompanham toda mudança de lugar, estado, posição social
de idade''. É sobre essa espécie de ritual que trato no presente
ensaio para discutir os conceitos de \textit{liminaridade} e
\textit{communitas}.

\capitulo{Liminaridade}

Alguns autores, entre eles Turner, falam de rituais de passagem como
um ritual de distanciamento do indivíduo da sua estrutura social e,
depois, um retorno, com novo \textit{status}. A \textit{liminaridade},
ou \textit{fase liminar} é a fase intermediária entre o distanciamento
e a reaproximação em que as características do indivíduo que está
``transitando'' são ambíguas, misturando sagrado e profano, por
exemplo.  Esse é um dos principais pontos em que Turner discorda de
alguns de seus colegas, para os quais existem espaços bem definidos de
sagrado e profano e que os ritos de passagem se dão com uma simples
ida para o estado sagrado e, posteriormente, a volta ao estado profano
original.

Turner relata que a liminaridade é frequentemente comparada à morte,
invisibilidade e outros ``estados'' que demonstram que, como seres
liminares, os indivíduos não possuem \textit{status}, qualquer que
seja, e mostra que por várias vezes as roupas ``normais'' são
substituídas por simples tiras de pano ou, até mesmo, nudez, para
simbolizar essa falta de \textit{status}.

No estado liminar, dado o distanciamento simbólico da estrutura
hierárquica da sociedade, aparece um segundo modelo que alterna com
essa estrutura: um estado de comunidade ou comunhão, de indivíduos
iguais, um estado que ele chama de \textit{Communitas}.

\capitulo{Communitas}

A communitas não é, segundo Turner, e como já podemos perceber pela
breve introdução que foi feita ao assunto acima, quando tratei de
liminaridade, uma simples distinção entre o sagrado e o mundano, por
assim dizer. O sagrado, presente em diversos ``cargos'' da estrutura
hierarquizada de uma sociedade, vem de ritos de passagem graças aos
quais as pessoas adquirem essa posição. Nos rituais em que tal
\textit{status} é concedido, segundo Turner, a humildade da igualdade
do estado liminar modera o orgulho do indivíduo que o recebe.

O autor pensa que isso se deve a um reconhecimento de um laço humano
essencial para a existência da sociedade: para haver o que está
``acima'', deve existir alguém que esteja ``em baixo''. Mais do que
isso, o indivíduo que se eleva deve sentir na pele o que significa
estar abaixo. Daí o fato de que, em vários ritos de passagem para
empossamento de líderes seculares e espirituais, seja costume de
vários povos denegrir a imagem do indivíduo que está trocando de
\textit{status}.

Turner dá outros motivos para esse tipo de ritual na posse de líderes:
acabar com qualquer pendência que ainda exista entre o futuro líder e
pessoas que se sentiram lesadas por ele. É costume em algumas tribos,
segundo ele, que as pessoas que se sentiram de alguma forma
prejudicadas pelo futuro líder sejam convidadas para uma sessão de
``descarrego'' em que podem falar o que quiserem para humilhar e
protestar contra ele. O futuro líder deve ouvir tudo sem responder e,
depois de empossado, deve considerar que todas as diferenças que
existiam até então tenham sido superadas ou, pensando na perspectiva
da liminaridade, deixadas na vida que vivia anteriormente, em outro
\textit{status}.

\capitulo{Conclusão}

Os ritos de passagem marcam mudanças do indivíduo na estrutura social
e, de acordo com os conceitos de liminaridade e communitas de Turner,
essa passagem envolve algo como um renascimento. Para mudar de
\textit{status} o indivíduo é, primeiro, distanciado da estrutura
social, como se morresse ou deixasse de existir naquela posição que
ocupava na sociedade. Passa, então, por um processo liminar, em que
está fora da sociedade, em que é colocado em um estado de igualdade e
humildade, desprovido de \textit{status}. Só então o indivíduo volta a
ser integrado à estrutura social, ocupando agora uma nova posição,
como se renacesce.

\end{espacoduplo}

\capitulo{Referências Bibliográficas}

\noindent
TURNER, Victor W. \emph{O processo ritual}. Petrópolis: Ed. Vozes,
1974. p. 116-159.

\end{document}

