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\autor{Gustavo Noronha Silva} 

\titulo{Leach e Douglas}

\comentario{Trabalho apresentado à disciplina Antropologia III do
  terceiro período do curso de Ciências Sociais da Universidade
  Estadual de Montes Claros.
  \\Orientador: Prof. Carlos Caixeta}

\data{abril / 2004}

\begin{document}

\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}

\capa

\local{Montes Claros}

\folhaderosto

\noindent
LEACH, Edmund. \emph{Sistemas Políticas da Alta Birmânia}. São Paulo:
Ed. da Universidade de São Paulo, 1996. (``Introdução'' e
``Conclusão'').

\noindent
LEACH, Edmund. \emph{Cronos e Crono}.

\noindent
DOUGLAS, Mary. \emph{Pureza e Perigo}.

\begin{espacoduplo}
Edmund Leach, diferentemente dos antropólogos sociais que vieram,
segundo ele mesmo, ``na esteira de Radcliffe-Brown'', não acredita que
se pode considerar que, sempre que se analisa uma sociedade qualquer,
essa sociedade se encontra em um estado de equilíbrio estável. Ao
tentar responder se a divisão feita entre os kachins e os chans ---
povos que habitam a região nordeste da Birmânia, tratados por ele ---
e até mesmo as subdivisões que são colocadas para os kachins são
realmente justificáveis, Leach pressupõe que, ao contrário, as
sociedades \textit{não} estão em equilíbrio estável, distanciando
muito da tradição durkheimiana.

Numa linha similar de pensamento encontramos a autora Mary Douglas,
que refuta as idéias de que os povos "primitivos" tenham sua religião
baseada em medo --- idéia cultivada por todos os relatos de missionários
ou viajantes, segundo ela. Além disso, pensa ela que erram os antropólogos
ao pensarem ``uma cultura que estejam estudando como um padrão de
valores estabelecidos há muito tempo'' (DOUGLAS: 16).

Para Leach, quando as estruturas sociais são representadas na
forma de cultura, essas representações são imprecisas em comparação
com um modelo conceitual usado por um cientista, já que os indivíduos
têm idéias contraditórias e incongruentes sobre sua práticas, que são
expressadas idealizadamente nos rituais. Isso o leva a separar
explicitamente a estrutura formal do conteúdo cultural e a discutir
mudanças na forma estrutural quando há, como ele próprio exemplifica,
substituição em uma determinada localidade, por um determinado tempo,
um sistema político de segmentos de linhagem igualitários por uma
hierarquia ordenada de tipo feudal, mas não quando indivíduos mudam de
posição ou status social. É importante notar, no entanto, que essas
separações não são feitas com o intuito de deixar de lado as
incongruências e contradições: Leach acredita que é nelas que se pode
entender como funciona efetivamente a sociedade.

Esse é outro ponto em que podemos observar uma certa concordância
entre Leach e Douglas. A autora procura demonstrar, por exemplo, que
não se pode procurar interpretar as idéias de poluição sem considerar
o contexto geral da sociedade em questão e que rituais de pureza e
impureza não são aberrações em relação à religião, mas contribuições
positivas, em que elementos díspares assumem significado. A autora
procura mostrar que as idéias de poluição são usadas como símbolos
ou analogias para expressar uma visão geral da vida social.

Os autores concordam em outros pontos, como por exemplo o fato de
o indivíduo de uma determinada sociedade não entender exatamente
o significado de algumas de suas ações, dando, portanto, ao antropólogo
a tarefa de inferir, segundo Douglas, a partir de padrões ``cujas partes
se pode mostrar incontestavelmente que estão regularmente relacionadas
entre si''.

Como podemos ver, Leach e Douglas vêm tentar superar algumas das
formas de pensar que se contruíram na antropologia até então e mostrar
que a sociedade não é algo imóvel e antigo, mas algo que está em constante
mudança. Mais que isso, os autores mostram que os ``conflitos'' existentes
servem positivamente à compreensão do todo.

\end{espacoduplo}
\end {document}

