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\autor{Gustavo Noronha Silva}
\titulo{Antropologia Francesa:
  \\Durkheim e Mauss}
\local{Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES}
\data{novembro / 2003}
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%\capa
%
%\local{Montes Claros}
%

\begin{document}

\folhaderosto

\begin{espacosimples}
  \begin{center}
    Antropologia Francesa: Durkheim e Mauss\\
  \end{center}
  \flushright{Gustavo Noronha Silva\footnote{Acadêmico do
      segundo período do turno da manhã do curso de Ciências 
      Sociais da Universidade Estadual de Montes Claros, UNIMONTES}}
\end{espacosimples}

É possível que a principal contribuição da Escola Sociológica Francesa
à antropologia tenha sido mostrar de onde vem a autoridade da ciência.
Isso trás à tona a discussão  sobre a verdade que existe na religião e
nas outras instituições sociais, e ainda  aponta que a crença é a base
das   categorias  de  entendimento   em  diferentes   grupos  sociais,
independente  das  suas características  tecnológicas  ---  já que  só
acreditamos na ciência porque  cremos nela, como Durkheim demonstra no
seu \textit{Formas Elementares da Vida Religiosa}.

O nome da obra citada, e as constatações sobre a ciência e a crença já
são  demonstrativos do  que  vem a  ser  o método  que  dá suporte  ao
trabalho  de  Durkheim  e  Mauss:   buscar  o  que  há  de  comum  nas
instituições sociais de todos os tempos para derivar regras gerais.

Os  autores trabalham  na perspectiva  de que  o ser  humano  é duplo:
individual e coletivo.  Existe algo que é exterior a  ele, mas que age
coercitivamente  sobre   ele  para  que  se  comporte   de  uma  forma
determinada: a  consciência coletiva.  Durkheim procura mostrar  que a
consciência coletiva  é mais do que  a soma de  todas as consciências,
além de ser construída historicamente.

Partindo dessas bases, Marcel Mauss trabalha, assim como Malinowski, a
troca de presentes em sociedades  diferentes. Seu objeto de estudo, no
seu  \textit{Ensaio Sobre  o Dom}  são rituais  de troca  de presentes
chamados \textit{potlatch}.

Mauss  demonstra  que   os  presentes  trocados  no  \textit{potlatch}
carregam  muito mais  do que  um  simples agrado.  Eles contêm  poder,
política, economia,  mágica e significam  para aquelas tribos  ceder um
pedaço da  própria sociedade, já  que é como  se o espírito  do doador
fosse junto ao presente,  criando assim, essencialmente, a necessidade
da doação, inicialmente, da aceitação e da retribuição.

Essa ligação forte que se cria na troca de presentes é responsável, em
grande  parte, pela  coesão social,  segundo o  autor, e  aqui podemos
fazer  uma analogia  ao funcionalismo  de Malinowski.  Para  Mauss, no
entanto,  a  troca  de  presentes  não  serve  apenas  como  forma  de
fortalecimento  dos  laços  sociais:  dar um  presente  significa  ser
generoso e,  portanto, merecedor de respeito.  Acontecem nessas tribos
disputas na doação de presentes, já que aquele que dá mais ou melhores
presentes é mais merecedor de respeito.

Com essas  teorias e investigações,  Mauss e Durkheim  contribuíram de
forma decisiva para a  antropologia, e relacionaram-se bastante com os
funcionalistas em seus trabalhos, acrescentando novos métodos e idéias
ao discurso antropológico.

\section*{Bibliografia}

\noindent  
Mauss, M.   \emph{Ensaio sobre  a dádiva: forma  e razão da  troca nas
  sociedades  arcaicas}.  In: Sociologia  e  Antropologia. São  Paulo:
EDUSP, 1974. pp. 35-184.

\noindent
DURKHEIM, E. \emph{As formas elementares da vida religiosa}. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

\end{document}

