% comentários em LaTeX são demarcados pelo '%'
\documentclass {abnt}

\usepackage[latin1]{inputenc}
\usepackage[brazil,brazilian] {babel}
%\usepackage[T1]{fontenc}
\usepackage[alf]{abntcite}
\usepackage{url}

\usepackage[perpage,para,symbol*]{footmisc}

\bibliographystyle{abnt-alf}

\begin{document}

% a margem de cima tem 2 cm na resenha!
\addtolength{\topmargin}{-1cm}

\begin{espacosimples}
  \center{\textbf{Liberdade em O Show de Truman e Um Sonho de Liberdade}}\\
  \flushleft\hspace*{10cm}Gustavo Noronha Silva\footnote{Acadêmico
    do 1$^o$ período de Ciências Sociais}
\end{espacosimples}

O Show de Truman é um filme intrigante porque mostra como ficção, como
filme,  algo  que  é  bem  real  na vida  em  sociedade.  A  liberdade
condicional e vigiada retratada no filme é, aparentemente, a liberdade
que nós, membros das diversas sociedades ao redor do globo temos.

Assim como Truman ou Andy, do  filme Um Sonho de Liberdade, nós também
somos  obrigados a  estar em  lugares  que não  queremos, usar  nossas
habilidades e tempo para fazer coisas que não queremos.

As   idéias  de   Truman   são  habilmente   construídas  através   de
propagandas. Um  ideário necessário para a manutenção  do ``Estado'' é
incutido na mente dele através  dos meios de comunicação e das pessoas
ao seu redor.

Um  ponto  comum entre  os  dois filmes  é  a  referência à  liberdade
interna, aquele que ninguém é  capaz de tocar. Truman expressa isso ao
exclamar que nunca havia sido  colocada uma câmera em sua cabeça, Andy
embute  esse  sentimento na  esperança,  a  esperança  é a  guarda  da
liberdade individual.

Truman exerce essa  liberdade em vários momentos, quando  se lembra de
Sylvia, um amor expontâneo, e quando faz aquilo que ninguém espera que
faça.   A expontaneidade  é, em  um ambiente  altamente  controlado, a
liberdade de Truman.

Em Um  Sonho de Liberdade  a expontaneidade é substituída,  na prisão,
por uma série de regras, controles e limitações que acabam se tornando
parte  da  vida das  pessoas  dali.  Quando  o bibliotecário  sai  não
consegue se adaptar  à nova realidade e se  suicida. Truman talvez não
tivesse tal problema, pois `fora'  ele seria bem melhor tratado do que
`dentro' do mundo criado para ele, por ter se tornado uma celebridade,
além de poder reencontrar Sylvia.

Andy também não sofreu tal  mal, porque dentro da cadeia preservou sua
cultura de  homem ``liberto''. A mulher que  Truman esperava encontrar
em Fiji, sua esperança, também  existia na história de Andy, embora de
forma diferente. A esperança,  talvez tenha sido a grande catalizadora
de capacidade de manutenção do espírito de liberdade.

Um ponto muito  importante do filme de Truman é a  parte final, em que
Truman conversa com  Christof, o criador do mundo em  que ele vivia. A
cena dá a impressão de uma  conversa de um homem normal com Deus. Isso
remete à  já remoída  discussão religiosa do  paradoxo entre  a divina
Providência  e o  livre-arbítrio.  Christof,  no início  do  filme faz
questão  de lembrar  que Truman  é real,  sem scripts  e  roteiro.  No
entanto, em uma  entrevista fala do novo caso  amoroso programado para
Truman. O  que é mais  importante, o que  fica no final? A  vontade do
criador  ou a  capacidade de  escolha e  decisão do  indivíduo,  a sua
liberdade? O que  fica no final, o  que eu quero ou o  que a sociedade
preparou para mim?

Quando a  sociedade impõe idéias e comportamentos  aos indivíduos está
garantindo  sua  própria  sobrevivência.  Está impondo  uma  igualdade
artificial,  para  que haja  a  coesão  necessária  na manutenção  das
instituições.  Pode-se  perceber isso  nos  filmes  que assistimos,  e
também em  Tocqueville. Apesar  de, até mesmo  nessa igualdade  em que
todos  fazem  parte  de  um  todo  haver  diferenciação  e  tratamento
especial, principalmente a pessoas que sabem se aproveitar do sistema,
usando a liberdade interior.

Andy acabou  por perceber que fazendo  o jogo sujo  do diretor poderia
crescer e  ganhar liberdade,  mas mais do  que isso ele  se aproveitou
dessa posição que lhe foi  conferida pelo sistema para destruir partes
dele, e escapar. Truman, quando teve certeza do que estava acontecendo
não teve dúvidas. Sabia que a  única liberdade que tinha estava em não
haver    como   saber    o    que   ele    pensava    e   também    na
imprevisibilidade.  Pareceu  ter voltado  ao  ``normal'', portanto,  e
driblou as  câmeras para fazer  o que ninguém imaginaria  que fizesse:
navegar, e assim achar a saída de sua prisão.

\end{document}
